É urgente aprender a envelhecer melhor

O caminho envolve orientação e mudanças no estilo de vida mas também o apoio do Estado e o acolhimento das gerações mais novas

O processo de envelhecimento não é nenhuma novidade à nossa espécie: é algo que sempre existiu e sempre existirá. Então, por que ainda temos tanta dificuldade não apenas em aceitá-lo como também em torná-lo uma experiência mais digna e prazerosa?

Em todo o mundo, as pessoas estão envelhecendo e, em especial, no Brasil, esse processo ocorre de forma ainda mais acelerada. Em 2018, uma pesquisa do IBGE concluiu que, a partir de 2039, haverá no país mais pessoas idosas do que crianças e que, em 2060, um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos.

Envelhecemos a passos largos, ao mesmo tempo que não estamos completamente preparados para isso. Um estudo do Ministério da Saúde em colaboração com a Fiocruz descobriu que sete em cada dez pessoas com mais de 50 anos têm alguma doença crônica no país. É importante destacar que isso, por si só, não é algo limitante, mas uma condição que exige suporte dos serviços de saúde, que estão sobrecarregados e não conseguem atender todo mundo com atenção, eficiência e rapidez.

Há, também, a questão financeira. De acordo com um estudo divulgado em 2014 pela Organização Internacional do Trabalho, 86,3% dos idosos recebem algum tipo de benefício no Brasil. Ainda assim, uma pesquisa feita em 2018, revelou que 43% das pessoas acima de 60 anos são as principais responsáveis pelo sustento da casa.

Isso nos traz a um outro ponto: o preconceito e a violência contra o idoso. Apesar de ser peça fundamental na sociedade, a população idosa segue enfrentando discriminação e diferentes formas de abuso, dentre elas a violência financeira, que consiste no desvio ou na apropriação de seus recursos econômicos.

Além de políticas públicas e do combate ao ageismo, para melhorar esse cenário precisamos também aproveitar o bônus demográfico que vivemos atualmente. Ou seja, este é o momento em que o número de pessoas economicamente ativas (jovens e adultos) na pirâmide é superior ao de crianças (base) e idosos (topo), o que, em tese, tende a gerar mais riqueza e desenvolvimento ao país.