Dezembro Vermelho: uma vida livre de tabus

A campanha que dá voz e ajuda a conscientizar sobre o HIV e a Aids para que o medo seja substituído pela esperança

Assim como a campanha do Outubro Rosa, sobre a conscientização do câncer de mama, e o Novembro Azul, sobre o câncer de próstata, dezembro chega com uma missão muito importante: chamar a atenção da sociedade para a quebra de tabus com relação à Aids e ao HIV.

O Dezembro Vermelho acende vários alertas, mas dentre todos eles, está principalmente a compreensão da evolução exponencial da medicina nessa área, que permite reconhecer que essa é uma doença, hoje, controlada. “Não havia tratamento nenhum quando se descobriu o HIV, foi uma trajetória parecida com a do novo Coronavírus. Com o passar dos anos, foram criados medicamentos que inibem a multiplicação do vírus”, comenta a Diretora Médica e uma das fundadoras da Nossa Saúde, Dra. Rosemarie Elizabeth Sabota.

Muitos estudos se desenvolveram e, agora, 40 anos mais tarde, embora seja uma doença que requer muita atenção e cuidado, ela é tratável e controlável. “Mudou absolutamente tudo de quando os primeiros casos foram identificados. Quando o HIV foi descoberto, existiam duas vertentes de estudos para entender a doença: a americana e a europeia. Depois, as duas se fundiram com o conhecimento que cada uma adquiriu”, pontua a Dra. Maria Beatris de Miranda Coutinho, Médica atuante em Medicina de Família e Comunidade na Nossa Saúde.

“O HIV é um RNA vírus, ou seja, um vírus que tem uma mutagenicidade bem lenta, que adora se reproduzir dentro das nossas células chamadas linfócitos, responsáveis por produzirem a nossa imunidade e, por isso, é tão problemático. Ele acaba matando essas células por conta da reprodutibilidade e, com isso, deixa o organismo vulnerável às doenças oportunistas”, complementa a médica.

No entanto, desde 1981, muitas coisas foram compreendidas pela ciência em várias frentes com relação a este assunto, bem como a forma com que o vírus atua e também a maneira da doença se manifestar. Por isso, o autocuidado deve existir sempre, mas desmistificar o HIV e a Aids são fatores essenciais para uma sociedade esclarecida e humanizada.

HIV e Aids são a mesma coisa?

Uma confusão comum entre as pessoas, é acreditar que o HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, e a Aids, que é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, são a mesma coisa. Definitivamente não são. “O HIV é o vírus e quem tem ele no organismo pode ser portador mesmo sendo assintomático, ou seja, não ter sintoma algum, mas, se tem o vírus no corpo, pode transmiti-lo. Nesse caso, significa que a pessoa é portadora do HIV, mas não é doente com a Aids. O doente de Aids já tem o vírus atuante e o mesmo transforma o sistema imunológico em deficitário”, explica a Dra. Maria Beatris.

Desconstrua e desmistifique preconceitos

Por ser uma Infecção Sexualmente Transmissível, a Aids ainda é muito estigmatizada. Por isso, muitas pessoas têm receio e até mesmo um certo preconceito em se submeter ao exame. Entretanto, essa atitude é extremamente prejudicial, pois tarda a descoberta de casos novos, impedindo que o tratamento possa ser iniciado no início do contágio.

“Fui diagnosticado com HIV ou Aids, o que devo fazer?”

Primeiramente, é importante manter a calma. “A vida, hoje, pode ser normal, como a de qualquer outra pessoa, sendo portador do HIV. Apenas é preciso redobrar alguns cuidados, como por exemplo, ao sangrar, não permitir que outra pessoa tenha contato com o sangue, não ter relações sexuais sem proteção e tomar a medicação conforme prescrição médica”, afirma a Médica de Família e Comunidade.

“O tratamento e o acompanhamento médico são vitalícios, em alguns casos, as doses de retrovirais podem até ser diminuídas, conforme a evolução e resposta do organismo. Tendo esses níveis equilibrados e o uso correto da medicação, a atuação do vírus é controlada, evitando a proliferação, mantendo assim o sistema imunológico em perfeitas condições”, finaliza a Dra. Maria Beatris.

Dezembro Vermelho

Este é um convite para distribuir amor. A informação séria e verdadeira liberta das amarras do preconceito e abre um horizonte cheio de possibilidades. Prevenir e cuidar são atitudes fundamentais, mas exercitar a arte de amar com aceitação e compreensão é o verdadeiro antídoto universal contra todos os problemas que rodeiam o planeta.

Fonte: G1