Frio pode contribuir para ocorrência de infarto, alertam especialistas

O ideal é evitar se expor a mudanças muito bruscas de temperatura e estar em dia com o acompanhamento médico

O tempo frio pode ocasionar infartos em pacientes com fatores de risco, como pacientes com doença arterial coronariana ou hipertensão.

A cardiologista Rica Buchler, diretora de reabilitação cardíaca do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo, alertou que o acompanhamento médico e o controle de doenças pré-existentes podem reduzir os riscos.

Ela explicou que no tempo frio, para manter a temperatura corporal, os vasos sanguíneos se contraem e seus diâmetros ficam menores. É chamado de vasoconstrição. “Esta condição pode causar ataques cardíacos em pacientes suscetíveis e aumentar a pressão arterial elevada”, acrescentou.

O cardiologista Luiz Antônio Machado César, assesor científico da Sociedade Paulista de Cardiologia (Socesp) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paoulo (USP) relatou que estudos mostram que a incidência de infarto é maior em temperaturas mais frias.

“É uma curva que lentamente mostra um aumento dos casos de morte por infarto à medida que a temperatura cai, grau a grau. Mas fica bem mais evidente abaixo dos 14 graus, com quase três vezes mais mortes por infarto”, diz, citando resultados de pesquisa da USP da qual foi orientador. Em comparação com a estação do ano, mais pessoas morrem de doenças cardíacas no inverno.

“Observamos claramente que para pessoas com mais de 65 anos, o [risco é maior]. Por serem pessoas com uma [incidência] muito maior de pressão alta, que já têm doença arterial coronariana e podem eventualmente ter um infarto, ele explicou que esta é a faixa etária em que a doença tem maior probabilidade de ocorrer.

Grupos mais suscetíveis ao frio

Além de pacientes com doenças arterial coronariana, Rica Buchler também mencionou pacientes submetidos a cirurgia de ponte de safena ou angioplastia. Pressão arterial não controlada, diabetes e colesterol muito alto. Quando pacientes e médicos tentam controlar essas condições, mesmo em climas frios, a suscetibilidade ao infarto é reduzida.

Para evitar o risco de baixa temperatura, disse o médico, é preciso primeiro entender nossa saúde. “As pessoas que vão ao cardiologista todos os anos ou a cada seis meses sabem sua verdadeira condição, então se conhecem e entendem os medicamentos que tomam. Portanto, ficam mais seguras.” O conselho de outro cardiologista é evitar sair um dia quando está mais frio.

O professor Machado César também alertou sobre a importância de manter os medicamentos atualizados entre as pessoas com doenças pré-existentes e a importância de se proteger o máximo possível ao sair de casa e evitar contrastes de temperatura.

Mas ele ressalta que não significa que todo mundo que sair no frio terá infarto. “A pessoa está em um grupo que é mais suscetível, mas, mesmo assim, é uma probabilidade”, acrescenta.