Estudo confirma papel da atividade física regular contra a depressão

Pesquisa americana aposta tanto nos exercícios aeróbicos quanto nos de resistência na prevenção e tratamento da doença

Com 300 milhões de casos no mundo, e 12 milhões no Brasil, a depressão é a doença psiquiátrica mais prevalente no planeta. Contudo, sua complexidade ainda é um enigma para a medicina. Por isso, é muito importante celebrar os pequenos avanços da medicina. O mais recente deles, foi a descoberta de que os exercícios físicos têm um impacto positivo na prevenção e tratamento do problema. Um estudo publicado na revista americana Biology mostrou que a ginástica melhora a função de estruturas cerebrais envolvidas no transtorno, como o hipocampo, o hipotálamo e a amígdala, além de diminuir o processo inflamatório dos neurônios.

Os tratamentos convencionais, à base de antidepressivos não são evidentemente essenciais no restabelecimento da química cerebral. Porém, a atividade física pode reduzir a necessidade de acompanhamento medicamentoso, sobretudo nos graus leve e moderado, os mais comuns, que estão relacionados a sentimentos crônicos como tristeza, angústia, desânimo, alterações no sono e no apetite.

Pesquisas apontam que não é preciso se matar no treino para sentir o resultado. Os efeitos começam a surgir a partir de quinze minutos de atividade física por dia, não importa se é aeróbica, caminhada, levantamento de peso ou corrida. O benefício é percebido também em atividades mais simples, como subir a escada. O importante é a prática regular de exercícios físicos.

Se mexer, é indicado para o bem-estar em geral, e não apenas para aliviar a dor de quem sofre com a depressão. Mas saber identificar os primeiros sinais de depressão e então movimentar o corpo é vital. Portanto, uma outra boa-nova: pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, nos EUA, desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar alterações de humor — o que incluiria aqui o transtorno bipolar. O estudo envolveu uma tecnologia com o RNA, molécula que armazena e transmite informações genéticas. O exame, ainda sem previsão de chegada ao mercado, também abre portas para a indicação precisa e personalizada de medicamentos e a resposta do paciente ao tratamento.