Óleos essenciais: o que um cheiro pode fazer por você?

Depende! O uso de óleos essenciais e aromas se expande como uma solução para acalmar os ânimos, mas é bom ter cautela com as propagandas exageradas

A bioquímica Bettina Malnic é uma das poucas especialistas brasileiras quando o assunto é o funcionamento do nosso olfato. Bettina ainda não sabe descrever, contudo, quais regiões do cérebro são ativadas por cheiros específicos. Nem ela nem seus pares. “Aromas diferentes podem excitar áreas e circuitos neurais diferentes. Alguns já conhecemos, como o sistema límbico, responsável por nossas emoções, e o hipotálamo, que controla reações fisiológicas como fome e sede. Mas não sabemos todas as regiões cerebrais impactadas pelos odores nem suas potenciais respostas a isso”, conta.

Assim chegamos aos óleos essenciais, utilizados de forma terapêutica para disparar reações na mente e no corpo. Até que ponto eles realmente mexem com nosso organismo? Bettina é cautelosa, ainda mais quando propagam por aí que a aromaterapia (prática que tem nesses óleos sua matéria-prima) oferece solução para todos os males. A cientista só não duvida de que os aromas possam trazer bem-estar — e defende mais pesquisas para desbravar seus efeitos.

Não é de hoje que se percebe que estímulos olfativos podem alterar o estado de ânimo ou induzir o relaxamento. E boa parte dos óleos essenciais é vendida justamente por essa propriedade.

A questão é que, se por um lado tem gente recorrendo aos óleos como uma forma mais natural e gostosa de apaziguar a tensão — o que é legítimo quando se toma a decisão com bom senso e informação —, há quem busque ou venda os aromas como um remédio capaz de alavancar a imunidade ou tratar doenças sérias como demência e câncer. Muitas vezes sem nem saber do que se trata.

Os óleos essenciais são basicamente extratos vegetais concentrados obtidos por prensagem ou destilação a vapor de flores, folhas, cascas, frutos ou sementes — a meta é capturar seu cheiro. A primeira lição para os leigos parece óbvia, mas necessária: a maioria é feita para o olfato. Então não cogite ingerir!

A quem confia cegamente nos óleos essenciais pelo simples fato de serem naturais.

Antes de usar, é aconselhado a fazer um teste. Dilua o óleo essencial em um óleo carreador numa concentração baixa. Aplique no antebraço e observe por 24 horas. Se ficar tudo bem, ótimo. Se tiver qualquer reação, lave e não volte a usar.