Atenção, homens: ir ao médico precisa virar hábito

Eles vivem cerca de sete anos a menos do que as mulheres. O fato de não procurarem o médico para cuidar da saúde é um dos motivos por trás dessa diferença

Quando os meninos são crianças, frequentemente ouvem dos pais frases como “homem de verdade não chora”, “se apanhar, precisa revidar à altura” e muitas outras que os estimulam a não demonstrar emoções e fragilidades. Esse pensamento os acompanha até a vida adulta, quando pedir ajuda diante de questões ligadas à saúde física e/ou mental é encarado como sinal de vulnerabilidade.

As mulheres, por outro lado, desenvolveram o hábito do zelo pela saúde há muito tempo. Para ter ideia, o chamado “preventivo” existe desde 1943 – trata-se do exame para o diagnóstico precoce do câncer de colo de útero. Para elas, mais do que um hábito, cuidar-se é uma tradição que passa de mãe para filha – e engloba outros exames, como aqueles para a detecção do câncer de mama.

No caso do câncer de próstata – a segunda causa de morte por tumores no sexo masculino –, um dos principais exames que facilitam a descoberta da doença só surgiu em 1994. Falo da dosagem de PSA no sangue, que, juntamente com o exame de toque retal, permite o diagnóstico precoce do quadro.

Só que, entre os homens, há uma falta de tradição em relação à busca por esses procedimentos. Ela se soma um pouco com o medo e uma falsa percepção de imunidade às doenças. É como se eles acreditassem numa espécie de mito do “super-homem”.

Esse mito afeta diretamente a vida desses indivíduos em diversos aspectos. Uma consequência desse descuido é que, segundo dados do IBGE, as mulheres vivem cerca de sete anos a mais que eles.

Neste Mês, Novembro Azul, é muito importante levantarmos essa discussão e mudarmos a cultura de que os homens não se cuidam. Visitar o médico para avaliações periódicas de saúde – mesmo que não haja nenhum sintoma incomodando – é fundamental para a criação de melhores condições de vida e ganhos em termos de longevidade.