A geração do burnout

Por que o esgotamento pelo trabalho afeta tanto os millennials? Um livro responde

A jornalista americana Anne Helen Petersen conhece, por experiência própria, o que é uma rotina propícia ao burnout. Mas sua jornada para decifrar por que a geração millennial (os nascidos entre 1981 e 1996), da qual ela faz parte, é especialmente vulnerável a ele vai muito além da vivência pessoal.

Fuçando pesquisas e teóricos, entrevistando dezenas de pessoas e confrontando o que elas herdaram da geração passada com as projeções que fazem para carreira e vida pessoal, Anne diagnostica, sem papas na língua, os fatores por trás de uma epidemia de burnout entre os millennials.

Eles incluem a deterioração da estabilidade no mercado de trabalho e os subempregos da era digital, a crença de só trabalhar com o que se ama, a diluição da fronteira entre lazer e emprego com as redes sociais... E uma lição emerge de Não Aguento Mais Não Aguentar Mais (HarperCollins): a sociedade precisa mudar se não quiser sucumbir a um burnout coletivo.

O que conspira para o esgotamento

Autora analisa fatores por trás do aumento nos casos de burnout

- Heranças geracionais: expectativas colocadas pelos pais dos millennials nos ombros dos filhos elevam o risco de frustrações.

- Uso abusivo de tecnologia: viver imerso em telas acaba com os limites entre trabalho e descanso — e nos faz perder tempo com bobagens.

- Falta de estabilidade: medo de desemprego e falta de apoio da legislação deixam os trabalhadores expostos a jornadas insanas.

- Filosofia perigosa: trabalhar só com o que se ama é uma ideia que abre caminho a desilusões e metas pessoais inalcançáveis.

- Expediente em casa: conciliar o emprego com a criação dos filhos pode levar ao burnout parental, sobretudo entre as mulheres.

- Vitrine de ilusões: a crença de ter sucesso no trabalho bate de frente com a vida boa do Instagram. E assim ninguém se sente satisfeito.

Fonte: Saúde Abril