O caso Simone Biles nas Olimpíadas e a saúde mental no esporte

Conversei com psicólogos do esporte para entender um dos episódios mais emblemáticos dos Jogos de Tóquio e da atualidade — e refletir sobre as suas lições

Simone Biles tinha 6 anos quando sua turma do colégio foi convidada a participar de uma excursão pela natureza. No tão esperado dia, porém, um temporal obrigou a professora a improvisar um plano B. Para não desapontar seus alunos, resolveu levá-los a um ginásio poliesportivo.

Foi como se a pequena Simone tivesse ido a um parque de diversões. Já chegou lá surpreendendo os treinadores. Impressionados com o seu talento, os instrutores pediram a ela que entregasse um bilhete aos seus pais: “Já pensaram em matricular essa menina numa aula de ginástica?”.

Dois anos depois, Simone começou a treinar e não parou mais. Só em campeonatos mundiais, ganhou 25 medalhas.

Cinco anos depois, a expectativa era que Simone, hoje com 24 anos, ganhasse mais cinco ouros em Tóquio. Só que não foi isso o que aconteceu. Recentemente ela surpreendeu a todos ao anunciar que abandonaria a final da ginástica feminina.

“Não confio mais tanto em mim quanto antes. Talvez seja o fato de estar ficando velha”, disse, na coletiva de imprensa. “Não somos apenas atletas. Somos pessoas. E, às vezes, é preciso dar um passo atrás”.

Ao longo da sua vida, Simone Biles passou por muitas coisas. Em janeiro de 2018, ela veio a público prestar solidariedade às ginastas que denunciaram os abusos sexuais sofridos por Larry Nassar e declarar que ela também fora vítima do ex-médico da delegação americana de ginástica.

“Tudo bem não se sentir bem”

Simone Biles não é um caso isolado. Outros esportistas de alto rendimento, já declararam sofrer de ansiedade e depressão.

E o que nós, meros mortais em matéria de esporte olímpico, temos a aprender com os superatletas?

Todos nós, em diferentes níveis, sofremos cobranças. Não temos o nível de exigência deles, mas também somos cobrados por um bom desempenho, como se aquele ato fosse o último de nossas vidas. A condição do ser humano é ser imperfeito. Temos que aprender a lidar com nossas imperfeições.