Montar um prato mais colorido pode proteger o cérebro, diz estudo

Consumo de vegetais de diversas tonalidades parece reduzir o risco de declínio cognitivo com passar do tempo

Alimentos que concentram flavonoides, como morango, laranja, pimentão e maçã, podem reduzir o risco de declínio cognitivo em até 20%. Isso é o que mostra um estudo publicado recentemente na Neurology, revista médica da Academia Americana de Neurologia.

Encontrados naturalmente nas plantas, os flavonoides são considerados antioxidantes poderosos. Na prática, protegem as células de danos causados por moléculas instáveis, os radicais livres – inclusive na massa cinzenta. Segundo o trabalho, é preciso ingerir ao menos meia porção por dia desse grupo para que ocorra algum benefício ao cérebro.

Os alimentos com mais poder

Os pesquisadores também observaram o benefício de alguns tipos de flavonoides individualmente. Dessa maneira, descobriram que flavonas e antocianinas se destacam no quesito blindagem cerebral.

As flavonas estão em alimentos como pimentas e vegetais amarelos e alaranjados. Elas foram associadas a uma redução de 38% no declínio cognitivo, o que equivale a ser três ou quatro anos mais jovem. Já as antocianinas aparecem em itens vermelhos e arroxeados, como uva, açaí, amora e jabuticaba. Nesse caso, a diminuição na possibilidade de problemas na cognição foi de 24%.

Uma limitação do trabalho é que os próprios participantes descreveram suas dietas e, por isso, podem não se lembrar perfeitamente o que comeram ou em qual quantidade.

“Embora seja possível que outros fitoquímicos estejam trabalhando aqui, uma dieta colorida rica em flavonoides, e especificamente em flavonas e antocianinas, parece ser uma boa aposta para promover a saúde do cérebro em longo prazo. E nunca é tarde para começar, porque vimos essas relações protetoras independente de as pessoas consumirem os flavonoides há 20 anos ou mais recentemente”, incentivou Walter Willett, da Universidade Harvard, em Boston, Massachusetts.