A obesidade precisa ser enfrentada com políticas públicas

A Campanha defende que ações individuais não bastam para resolver o problema. Plano de ação passa por aumentar imposto em alimentos não saudáveis

Quantas campanhas você já viu sugerindo que perder peso é uma simples questão de mudança de hábito? Mesmo assim, ano a ano, observamos o aumento dos casos de obesidade, diabetes e outras doenças associadas a dietas ricas em calorias e pobres em nutrientes.

O fracasso das estratégias apresentadas até o momento deixa evidente que se tem um hábito que precisa ser mudado com urgência é a mania de imaginar que bastam motivações pessoais para enfrentar o problema.

Qualquer ação para encarar a situação deve levar em conta o fato de estarmos inseridos em um sistema alimentar que determina nossas escolhas. Vivemos num ambiente que dificulta o acesso à comida saudável e facilita o consumo de ultraprocessados – alimentos com alto teor de açúcar, sal e gordura, que comprovadamente fazem mal à saúde.

Para tornar essa relação menos desigual para a sociedade, defendemos o aumento dos impostos como medida para reduzir o consumo e gerar recursos para o SUS. É o que propõe a campanha Tributo Saudável: Bom para Economia, Melhor Ainda para a Saúde, promovida pela ACT.

Funciona assim em qualquer orçamento doméstico: se o preço de determinado produto aumenta, procuramos outro mais acessível. A experiência vem dando certo em alguns países, e tem recomendação da própria Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quando pensamos nas ações de marketing dos fabricantes, chega a ser ingenuidade acreditar que, diante da prateleira do supermercado, o consumidor consiga exercer plenamente o direito de escolha. Definitivamente, ele vai levar para dentro de casa o que a indústria oferece e é tantas vezes mais em conta, caso dos ultraprocessados.

A obesidade sempre foi uma questão de saúde pública. Pensar que seja possível reduzir o número de pessoas com obesidade promovendo apenas ações pessoais é ilusão.