Por que defender o “fim das dietas”?

Em vez de restringir o cardápio a certos ingredientes, ter um acervo amplo de paladar é o que permite mudanças sustentáveis na alimentação

Quando pensamos em dieta, imaginamos algo que faremos por algum tempo, até alcançarmos nosso objetivo, para depois voltarmos à nossa alimentação habitual. Esquecemos que retomar o padrão anterior é como colocar um caminhão na descida em banguela. Ou seja, retornaremos o mais rápido possível ao ponto onde começamos a dieta – ou, pior, passaremos dele.

O fato é que costumamos comer sempre as mesmas coisas. Quer ver só? Vamos fazer um exercício. Quando você pede uma pizza, o sabor escolhido é sempre diferente ou, invariavelmente, o mesmo? Imagino a resposta…

O hábito de repetir os alimentos ingeridos está associado ao prazer, ao sabor, às memórias afetivas ligadas a esse gosto e ao medo de experimentar algo que não traga a mesma satisfação.

O problema de não variar a alimentação

O medo de arriscar à mesa limita o nosso acervo de paladar, refletindo inclusive no envelhecimento. Deixar as escolhas se tornarem obtusas fará esse acervo também permanecer obtuso. Assim, quando quisermos mudar o padrão alimentar para emagrecer, por exemplo, sentiremos medo do desconhecido e aquela ansiedade de voltar logo ao modelo anterior, encarado como seguro.

Ao combinarmos os seis sabores básicos, temos como resultado mais de dez mil sabores. Olhar para a alimentação como algo em constante transformação, desafiando o nosso paladar, desconstrói o conceito de que o prazer só vem daquilo que estamos acostumados – prazer passa a significar se aventurar no desconhecido.

Assim, o “fim das dietas” é uma proposta de desafio constante. É optar por novos alimentos que nos movem para variados sabores. Afinal, o que te faz emagrecer não é retirar um ou aquele tipo de nutrição do seu dia-a-dia, mas sim encher o seu corpo de experiências inéditas e inesquecíveis.