Sim, precisamos falar da prevenção do HIV

Médico explica as diferenças entre a infecção pelo HIV e a aids e como podemos evitá-las com os meios existentes hoje

No Dezembro Vermelho, mês de conscientização e luta diante do HIV/Aids, temos o dever de renovar os alertas sobre a prevenção dessa e de outras infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs.

A cada 15 minutos, um brasileiro ainda é infectado pelo HIV. E, como mostra pesquisa do Datafolha e da Omens, mais de um décimo dos homens no país já contraíram ISTs.

Para início de conversa, você sabe a diferença entre HIV e aids? Muita gente acha que os termos são sinônimos, mas não é bem assim.

O HIV é o nome do vírus. A aids é a síndrome causada pelo vírus e caracterizada pela queda na imunidade. A questão é que entre contrair o patógeno e desenvolver a síndrome podem decorrer anos.

Com isso, existem muitas pessoas vivendo com o HIV (às vezes sem saber), mas que não possuem aids. Além do mais, o uso correto das medicações contra a infecção consegue manter o vírus indetectável, algo importante para frear sua transmissão, e a imunidade atuante.

Considerando essas diferenças, como evitar a infecção pelo HIV? E como evitar a aids?

Começando pela segunda pergunta: uma vez infectada pelo vírus, a pessoa deve realizar exames periódicos e acompanhamento médico para definir o momento de iniciar o tratamento antiviral. Sendo assim, pessoas em maior risco de exposição ao HIV − quem pratica sexo desprotegido, usa drogas injetáveis ou recebeu transfusões de sangue há algum tempo, por exemplo − deve fazer um teste para descobrir cedo e evitar uma evolução desfavorável. O exame é realizado gratuitamente pelo SUS em postos de saúde. Basta pedir.

Agora falando sobre a prevenção da infecção em si. Um dos elos para fechar a cadeia de transmissão é testar e tratar as pessoas que já convivem com o HIV.

Se o paciente está com o vírus sob controle, deixa de transmiti-lo. Mas também são fundamentais as medidas de proteção individual para a população em geral − uso de preservativos, sobretudo com parceiros esporádicos, e o não compartilhamento de agulha entre usuários de drogas.

Só no Brasil são mais de 900 mil cidadãos convivendo com ela. Enquanto não temos uma vacina à disposição, precisamos continuar nos cuidando com os métodos existentes.